Como cuidar de um filhote de passarinho?

Encontrar um filhote de passarinho caído do ninho é uma situação comum e que desperta compaixão. Mas, apesar das boas intenções, é fácil cometer erros que podem colocar a vida do pequeno em risco. Cuidar de um passarinho filhote exige atenção, paciência e alguns cuidados específicos com alimentação, temperatura e segurança.

Se você quer aprender a cuidar corretamente de um filhote até que ele possa voar e se alimentar sozinho, este guia completo vai te explicar tudo de forma simples, direta e sem complicações.

Como identificar a idade e o tipo de filhote

Antes de qualquer coisa, é importante entender em que fase o filhote está. Isso influencia diretamente nos cuidados que ele vai precisar.

1. Ninhão (recém-nascido)

  • Não tem penas, apenas penugem fina.
  • Os olhos geralmente estão fechados.
  • Não consegue se aquecer sozinho.
  • Precisa ser alimentado com muita frequência, a cada 20 a 30 minutos.

2. Ninhego (com poucas penas)

  • Já tem algumas penas surgindo.
  • Abre os olhos e começa a reagir a sons.
  • Ainda não consegue comer sozinho.
  • Come a cada 45 minutos a 1 hora.

3. Jovem (quase voando)

  • Tem quase todas as penas formadas.
  • Já tenta pular, bater asas e emitir sons.
  • Come sozinho com ajuda e precisa treinar voo.

Identificar o estágio é essencial para ajustar a alimentação e o ambiente corretamente.

Primeira coisa: observe antes de tocar

Muitas vezes, o filhote não está realmente abandonado. Os pais costumam ficar por perto, buscando alimento.

  • Observe à distância por alguns minutos.
  • Se o filhote estiver em local perigoso (rua, calçada, quintal com cachorro), você pode colocá-lo num galho ou caixa próxima e observar se os pais aparecem.
  • Só leve o filhote se tiver certeza de que ele está órfão ou ferido.

Se ele estiver machucado ou muito fraco, o ideal é procurar um veterinário especializado em aves silvestres ou um centro de reabilitação de fauna.

Montando um ninho improvisado

Caso o filhote precise ser acolhido, monte um “ninho artificial” simples e seguro.

Você vai precisar de:

  • Uma caixa de sapato ou recipiente pequeno com tampa (faça furos para ventilação).
  • Papel toalha, algodão, pano macio ou fiapos de tecido para forrar.
  • Garrafa pet com água morna envolta em pano para manter o calor (sem encostar diretamente no filhote).

O ambiente deve ficar morno, mas não quente demais. Temperaturas abaixo de 32 °C são perigosas para filhotes muito novos, pois eles não conseguem se aquecer sozinhos.

Alimentação: o que o filhote de passarinho pode comer

Essa é a parte mais delicada e onde ocorrem mais erros. O ideal seria saber a espécie do filhote, pois cada tipo de ave tem uma dieta específica. Mas se você não souber, dá pra seguir uma alimentação provisória até levá-lo a um especialista.

Alimentação emergencial (primeiros cuidados)

  • Misture ração de gato ou cachorro para filhotes (sem corantes) com água morna até virar uma papinha.
  • Ofereça com pinça ou palito sem ponta, sempre em pequenas porções.
  • Dê comida a cada 30 minutos nas primeiras horas, diminuindo a frequência conforme ele cresce.

Atenção: nunca ofereça

  • Leite ou derivados (aves não digerem lactose);
  • Pão, arroz cru, biscoito, fubá puro ou café;
  • Frutas cítricas em excesso (podem irritar o estômago).

Quando o filhote começar a crescer e tiver penas, você pode incluir:

  • Frutas picadas (mamão, banana, maçã sem casca);
  • Farinha de aveia com mel e água;
  • Insetos secos ou vivos (para aves insetívoras);
  • Sementes moídas (para aves granívoras).

A papinha deve ser oferecida morna e fresca, sem sobras de horas anteriores.

Quantas vezes alimentar por dia

A frequência depende da idade do filhote:

  • Recém-nascido (sem penas): a cada 20 a 30 minutos, inclusive à noite nas primeiras 48h.
  • Com poucas penas: a cada 1 hora durante o dia.
  • Quase voando: de 3 em 3 horas, até ele começar a comer sozinho.

Com o tempo, o filhote vai abrir o bico sozinho ao ver o alimento — sinal de que está se acostumando e ficando forte.

Como oferecer a comida corretamente

Evite empurrar o alimento à força. Se possível:

  1. Toque suavemente no bico, ele vai abrir naturalmente.
  2. Coloque pequenas porções na lateral do bico (não no meio, para evitar engasgo).
  3. A comida deve estar morna — nem fria, nem quente demais.

O filhote deve estar com o pescoço ereto durante a alimentação, imitando a posição natural de quando os pais alimentam.

Água: como hidratar um filhote

Filhotes muito pequenos não devem beber água diretamente, pois podem se afogar.

  • A água é oferecida junto com a papinha (já misturada).
  • Quando ele começar a se alimentar sozinho, coloque um pote raso com pedrinhas para evitar afogamento.
  • Troque a água várias vezes ao dia para evitar contaminação.

Higiene e limpeza

O ninho improvisado precisa estar sempre limpo para evitar fungos e doenças.

  • Troque o papel ou pano do fundo pelo menos 2 vezes ao dia.
  • Limpe restos de comida com lenço úmido ou pano levemente molhado.
  • Lave bem as mãos antes e depois de tocar no filhote.

Um ambiente limpo e seco é fundamental para a saúde dele.

Acompanhando o crescimento

Com o passar dos dias, o filhote vai evoluir rápido:

  • As penas crescem e ele começa a se esticar e tentar bater as asas.
  • O intervalo entre as refeições aumenta.
  • Ele vai querer sair da caixa para andar e explorar o ambiente.

Quando o filhote conseguir voar pequenos trechos e comer sozinho, você pode começar o processo de reintrodução à natureza, deixando-o em um local seguro, com árvores e longe de predadores.

Cuidados com o calor e o frio

A temperatura é um dos fatores mais críticos para a sobrevivência do filhote.

  • No frio: use uma garrafa com água morna envolta em pano e troque sempre que esfriar.
  • No calor: mantenha o local ventilado, sem sol direto.

Evite ventiladores e ar-condicionado apontados para ele, pois podem causar choque térmico.

Quando procurar ajuda profissional

Mesmo com todos os cuidados, alguns filhotes precisam de atendimento especializado. Procure um veterinário de aves ou um centro de reabilitação se o filhote:

  • Estiver com ferimentos ou sangramentos;
  • Tiver dificuldade para respirar ou engolir;
  • Ficar muito tempo sem reagir;
  • Estiver com penas arrepiadas, tremendo ou sem apetite.

Em muitos estados do Brasil, há centros de triagem de animais silvestres (CETAS) que recebem filhotes órfãos para cuidar e reabilitar.

Dicas finais

  • Evite manusear demais o filhote — o excesso de toque pode estressá-lo.
  • Mantenha gatos e cachorros longe.
  • Nunca use produtos de limpeza fortes no ninho.
  • Quando for libertá-lo, escolha horários de manhã cedo ou fim da tarde.

Cuidar de um filhote de passarinho é uma grande responsabilidade, mas também uma experiência linda. Acompanhar seu crescimento, ver as penas nascerem e o primeiro voo é uma recompensa emocionante.

Cuidar de um filhote de passarinho exige atenção, paciência e delicadeza. Desde o controle de temperatura até a alimentação correta, cada detalhe faz diferença para garantir que ele cresça saudável e possa um dia voltar à natureza.

Lembre-se: nem sempre o filhote precisa ser levado para casa — às vezes, o melhor cuidado é devolvê-lo ao ninho. Mas, se ele realmente precisar da sua ajuda, agora você já sabe como fazer tudo do jeito certo.

Deixe seu comentário